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Fauze Mania

A febre do videogame marcou época em São Lourenço

Por Leonardo Ortiz, em 04 de Fevereiro de 2022

Foto Principal Atenção crianças com mais de 40 anos, vamos mergulhar na nostalgia dos anos 90, os anos dourados do videogame. Quem teve o privilégio de viver o auge da febre do videogame não esquece das tardes nas locadoras de games dos anos 90, jogando Mortal Kombat, Street Fighter, Road Rash e outros tantos jogos em companhia dos amigos, em disputas intermináveis. E em São Lourenço não foi diferente. Quando o então jovem professor de educação física, Fauze Henrique Belém Chaves, o Fauze, ganhou seu primeiro videogame, um Atari, de sua então namorada e hoje esposa, Débora Matos, não fazia ideia do que estava porvir e que os jogos eletrônicos transformariam sua vida.

Na verdade os videogames entraram no Brasil no final dos anos 70, quando a Philco lançou o Telejogo, que consistia basicamente de traços que subiam e desciam pra rebater um quadrado e o controle era feito através de um dial. Mas o primeiro videogame que explodiu em vendas foi o Atari, no começo dos anos 80, com um console de 8 bits que foi uma evolução e tanto pra época, com uma infinidade de jogos em cartuchos. Com a chegada de empresas como a Tec Toy, no começo dos anos 90, o mercado experimentou um novo salto, com o lançamento do Master System, também de 8 bits, mas que trazia jogos mais complexos e com melhores gráficos que o Atari. Logo em seguida foi lançado o Mega Drive, de 16 bits, com resolução ainda melhor e com jogos clássicos como Sonic, o Hedgehog. Nesse mesmo período a Nintendo percebeu o potencial do mercado brasileiro e entrou na briga com seus famosos consoles Nintendinho e Super Nintendo, do icônico Super Mario e do Donkey Kong.

Assim que comprou seu Atari, logo Fauze se deu conta do potencial desse mercado, e uniu a sua paixão por videogame a uma oportunidade de negócio, e teve a ideia empreendedora de abrir uma lojinha no porão da casa de sua mãe, na rua Batista Luzardo. O movimento foi tanto que logo Fauze expandiu seu negócio e abriu sua primeira locadora, em 1991, na Av. Dom Pedro. Foi uma febre, e Fauze percebeu a necessidade de trazer novidades para os clientes todos os meses, com cansativas idas e vindas ao Paraguai para trazer consoles e principalmente jogos, pois ainda era tudo muito caro e difícil nesse tempo.

As viagens ao Paraguai costumavam ser tensas e os riscos de assalto eram reais, já que as excursões iam com passageiros com uma quantia razoável em dinheiro e na volta com equipamentos também caros, o que chamava a atenção dos piratas do asfalto. Numa dessas viagens Fauze conta que fez companhia a outro sacoleiro no bagageiro do ônibus, experiência nada agradável e que ele nunca esquece. “O rapaz me disse que era ótimo ir no bagageiro, pois lá podia esticar o colchonete e dormir a noite toda, e eu acreditei que seria melhor”, conta Fauze, “mas assim que o motorista fechou a porta do bagageiro a escuridão tomou conta e passei a noite acordado e escutando o barulho da estrada e morrendo de medo de acontecer algo, enquanto o outro rapaz roncou a noite toda”, relembra Fauze, que hoje se diverte com os perrengues que já passou.

O começo, como todo negócio, foi difícil e de trabalho árduo, mas em nenhum momento Fauze esmoreceu, e teve apoio fundamental da família, principalmente da sua esposa, Débora, de sua mãe e dos sogros. Outra pessoa fundamental na trajetória de Fauze foi seu padastro, Sr. Rosaldo, que foi seu sócio por longos 20 anos, e acompanhou de perto toda a saga de Fauze. E o crescimento foi tão rápido que ele deu mais um grande passo abrindo uma segunda locadora no Shopping Antônio Dutra. Um sucesso, sem dúvida. Naquela altura Fauze teve que deixar de lado as aulas de educação física pra se dedicar ao negócio, que era bem mais lucrativo e exigia sua inteira dedicação. A chegada do console Play Station foi mais um divisor de águas que turbinou seu negócio, trazendo jogos com gráficos jamais vistos e que encantou a garotada que frequentava sua locadora. Apesar de um certo preconceito que pairava sobre os jogos eletrônicos, Fauze, por ser de família muito conhecida, não tinha maiores problemas com os pais, que confiavam em deixar os filhos na locadora.

O primeiro baque nos negócios veio com a enchente histórica de 2000, que obrigou Fauze a fechar a locadora do Shopping, além de ter que remontar a loja da Dom Pedro, arrasada pela enchente. Pouco depois, com a invasão da pirataria, barateamento e facilidades de pagamento dos videogames, ele se viu obrigado a abandonar a lucrativa locadora e acabou ficando só com a loja onde comercializa os jogos, acessórios e presta assistência técnica até hoje. “É claro que não ganho o mesmo que ganhava nos anos dourados das locadoras, mas mantive meu negócio que sempre foi uma paixão, e só tenho a agradecer por tudo o que conquistei com esse maravilhoso universo dos games”, concluí Fauze, que não esconde o saudosismo dessa época e até hoje mantém contato com as “crianças” que tanto frequentaram seu comércio.

Fauze também destaca que apesar da impressionante evolução dos jogos e dos consoles, ele ainda prefere os velhos videogames que marcaram sua época, e que apesar de já ter ensaiado por diversas vezes sua aposentadoria, acredita que continuará no ramo até o dia que sua saúde permitir. Sem dúvida, Fauze marcou época em São Lourenço e se tornou um personagem que marcou a vida de muitas pessoas que cresceram jogando videogame, e contribuíram pra abrir caminho pra um mercado bilionário no Mundo todo.

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